Microsoft usa Inteligência Artificial para descobrir falhas de segurança no Windows
outubro 8, 2026

Microsoft usa Inteligência Artificial para descobrir falhas de segurança no Windows

A Inteligência Artificial já não está sendo utilizada apenas para escrever textos, gerar imagens, criar códigos ou aumentar a produtividade dentro das empresas. Na Microsoft, a IA também está assumindo um papel cada vez mais importante em uma das áreas mais críticas da tecnologia: a descoberta de vulnerabilidades de segurança.

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Em 7 de outubro de 2026, a Microsoft revelou novos resultados do FORGE Lab — Frontier Offensive Research & Generative Exploitation, iniciativa da Microsoft Security dedicada à pesquisa de segurança ofensiva utilizando Inteligência Artificial. O dado que mais chama atenção é impressionante: entre maio e setembro de 2026, o trabalho do FORGE ajudou a descobrir vulnerabilidades no Windows que receberam 140 identificadores CVE. Somente na atualização de segurança de setembro de 2026, 52 CVEs relacionados ao trabalho do projeto foram corrigidos. Isso representa uma mudança importante na forma como empresas de tecnologia poderão descobrir e corrigir falhas de segurança nos próximos anos. A corrida da Inteligência Artificial chegou definitivamente à cibersegurança.

 

O que a Microsoft anunciou?

Segundo a Microsoft Security, o FORGE Lab vem utilizando sistemas baseados em Inteligência Artificial para ampliar a capacidade de pesquisar vulnerabilidades em produtos como o Windows e também em projetos de código aberto. De maio a setembro de 2026, o FORGE ajudou na descoberta de vulnerabilidades do Windows que acabaram associadas a 140 CVEs.

Desse total, 52 vulnerabilidades foram tratadas apenas na atualização de segurança de setembro de 2026. Mas o trabalho não está limitado ao Windows.

Durante o mesmo período, pesquisadores ligados ao FORGE também enviaram 155 relatórios de vulnerabilidades internamente validados envolvendo 23 projetos open source, incluindo o kernel Linux. Na data da publicação da Microsoft, 93 desses relatórios, envolvendo 14 projetos ou famílias de projetos, já possuíam algum registro de reconhecimento ou aceitação pelos responsáveis. Isso mostra que a estratégia da Microsoft vai muito além de simplesmente adicionar IA a uma ferramenta tradicional de análise de código. Estamos falando do desenvolvimento de sistemas capazes de ajudar a procurar, investigar, validar e reproduzir vulnerabilidades em escala.

 

O que é o Microsoft FORGE Lab?

FORGE significa Frontier Offensive Research & Generative Exploitation. O laboratório faz parte da estratégia da Microsoft Security para avançar a pesquisa autônoma de segurança e explorar como sistemas de IA podem ajudar pesquisadores a localizar e corrigir vulnerabilidades, inclusive falhas zero-day. Segundo a própria Microsoft, o objetivo é avançar a chamada autonomous security engineering, ou engenharia de segurança autônoma. Um dos principais sistemas utilizados nessa pesquisa é chamado de MDASH.

 

O que é o MDASH?

O MDASH é um sistema de análise de vulnerabilidades baseado em múltiplos modelos de Inteligência Artificial e agentes especializados. A Microsoft o descreve como um multi-model agentic scanning harness, ou seja, uma estrutura que coordena vários modelos e agentes de IA em diferentes etapas de uma investigação de segurança. Em vez de pedir para um único modelo de IA simplesmente “encontrar uma vulnerabilidade”, o MDASH divide o trabalho.

O sistema utiliza mais de 100 agentes de IA especializados, combinando diferentes modelos para analisar, questionar e tentar provar se uma possível vulnerabilidade realmente pode ser explorada. De forma simplificada, o processo passa por etapas como:

  • Preparação: o sistema analisa o código, cria índices e procura entender a superfície de ataque.
  • Scanning: agentes especializados procuram comportamentos potencialmente vulneráveis.
  • Validação: outros agentes questionam os resultados e analisam se determinada vulnerabilidade realmente é alcançável e explorável.
  • Deduplicação: descobertas semelhantes são agrupadas para evitar desperdício de trabalho.
  • Prova: quando possível, o sistema tenta construir entradas capazes de reproduzir a falha e confirmar que a vulnerabilidade existe.

Essa arquitetura é especialmente importante porque reduz um dos maiores problemas das ferramentas automatizadas de segurança: falsos positivos. Encontrar algo suspeito é relativamente simples. Provar que aquilo representa uma vulnerabilidade real é muito mais difícil.

 

A IA da Microsoft realmente consegue encontrar vulnerabilidades?

Os resultados publicados pela Microsoft indicam que a tecnologia já ultrapassou a fase de simples experimento. Em maio de 2026, a empresa revelou que o MDASH foi testado contra um driver privado contendo 21 vulnerabilidades propositalmente inseridas. O sistema encontrou as 21 vulnerabilidades, sem falsos positivos naquele teste. A Microsoft também realizou avaliações utilizando vulnerabilidades anteriores confirmadas pelo Microsoft Security Response Center, o MSRC.

Nos testes retrospectivos, o MDASH apresentou:

  • 96% de recall em 28 casos do clfs.sys acumulados ao longo de cinco anos;
  • 100% de recall em sete casos analisados do tcpip.sys;
  • 88,45% de sucesso no CyberGym, benchmark público que reúne 1.507 tarefas relacionadas a vulnerabilidades reais de projetos open source.

Esses números precisam ser interpretados com cuidado. A própria Microsoft ressalta que resultados retrospectivos não significam automaticamente que o sistema encontrará a mesma porcentagem de vulnerabilidades futuras. Mesmo assim, os dados mostram que IA aplicada à pesquisa de vulnerabilidades está deixando de ser apenas uma possibilidade teórica. Ela já está sendo incorporada ao processo real de engenharia de segurança.

 

A IA encontrou vulnerabilidades críticas no Windows

Um dos exemplos mais interessantes aconteceu no Patch Tuesday de maio de 2026. Naquele momento, a Microsoft informou que 16 CVEs relacionados ao Windows haviam sido encontrados com ajuda do MDASH, incluindo quatro vulnerabilidades críticas de execução remota de código.

Entre os componentes analisados estavam áreas extremamente sensíveis do Windows, como:

  • tcpip.sys
  • ikeext.dll
  • netlogon.dll
  • dnsapi.dll

Algumas das vulnerabilidades poderiam ser alcançadas remotamente e sem autenticação. Isso demonstra por que esse tipo de tecnologia pode ter um impacto tão grande no futuro da segurança de software. Uma IA capaz de analisar enormes bases de código continuamente pode identificar padrões que seriam extremamente trabalhosos para equipes humanas analisarem manualmente.

 

O verdadeiro desafio agora pode deixar de ser encontrar vulnerabilidades

Aqui está talvez a parte mais importante de todo o anúncio. Quanto melhor a IA ficar em encontrar vulnerabilidades, maior será a quantidade de falhas que chegará às equipes responsáveis por validação e correção. E isso cria um novo problema. A Microsoft afirma que, à medida que sistemas agentivos passam a produzir mais candidatos, o gargalo começa a migrar da descoberta para a validação, correção e distribuição das atualizações. Imagine uma IA capaz de encontrar milhares de comportamentos potencialmente vulneráveis em pouco tempo.

Alguém ainda precisa determinar:

  • A vulnerabilidade realmente existe?
  • Ela pode ser explorada?
  • Qual é o impacto?
  • Qual deve ser sua severidade?
  • Existe outra vulnerabilidade idêntica já registrada?
  • Como corrigir o problema sem quebrar outra funcionalidade?
  • A correção introduz uma nova vulnerabilidade?
  • Como distribuir a atualização de maneira segura?

Portanto, o futuro da segurança não será definido apenas por quem possui a melhor IA para descobrir falhas. Também será definido por quem consegue transformar descobertas em correções confiáveis na mesma velocidade.

 

IA pode fazer o número de CVEs aumentar?

Possivelmente. E isso não significa necessariamente que os softwares ficaram menos seguros. Existe uma interpretação importante que empresas e profissionais de segurança precisam considerar. Quanto maior a capacidade de encontrar vulnerabilidades, maior pode ser o número de CVEs divulgados. Uma tecnologia pode aparentemente apresentar mais vulnerabilidades simplesmente porque seus mecanismos de pesquisa e identificação ficaram melhores. Esse fenômeno pode se tornar ainda mais evidente com sistemas de IA capazes de revisar milhões de linhas de código continuamente. O número de vulnerabilidades descobertas pode crescer ao mesmo tempo em que a segurança geral do produto melhora. Isso acontece porque problemas que antes permaneceriam desconhecidos passam a ser identificados e corrigidos.

 

IA também está sendo utilizada contra projetos open source

Outro ponto relevante da pesquisa é que a Microsoft não está utilizando essas tecnologias exclusivamente contra o código do Windows. O FORGE analisou projetos de código aberto envolvendo kernels, runtimes, bibliotecas de rede, containers e outros componentes.

Entre os projetos citados pela Microsoft estão:

  • Linux,
  • Node.js,
  • curl,
  • FFmpeg,
  • SQLite,
  • Rust,
  • llama.cpp,
  • vLLM,
  • Hyperlight,
  • entre outros.

O laboratório também informou ter enviado nove descobertas relacionadas ao Linux, avaliadas internamente com pontuação CVSS superior a 7,0, por meio da iniciativa Akrites, ligada à Linux Foundation. Um desses casos se tornou a primeira submissão feita pelo Akrites a resultar em um patch incorporado ao kernel Linux. Portanto, o impacto desse tipo de pesquisa pode beneficiar um ecossistema significativamente maior do que apenas os produtos Microsoft.

 

O custo para uma IA validar uma vulnerabilidade também chama atenção

Talvez um dos números mais interessantes divulgados pela Microsoft esteja relacionado ao custo da automação. Ao analisar o kernel Linux, o MDASH identificou milhares de locais suspeitos, enquanto agentes de validação produziram evidências para 627 descobertas.

Em uma amostra de 182 casos confirmados de crashes, a geração de um Proof of Concept teve custo médio de US$ 3,61 em processamento de modelo e levou, em média, 21,5 minutos por caso bem-sucedido. Em seis casos selecionados para testes automáticos relacionados a uma possível elevação local de privilégio, o custo médio informado foi de US$ 8,56, com aproximadamente 25,4 minutos de processamento.

A Microsoft ressalta que esses valores não incluem todo o processo — como triagem inicial, investigações humanas e preparação dos patches. Mesmo assim, eles ajudam a dimensionar algo importante. O custo marginal de investigar vulnerabilidades utilizando Inteligência Artificial pode se tornar extremamente baixo. Isso pode alterar profundamente a economia da cibersegurança.

 

A IA vai substituir os pesquisadores de segurança?

Não é isso que os resultados demonstram. Na realidade, a própria arquitetura utilizada pela Microsoft reforça a necessidade da participação humana. A IA pode automatizar tarefas repetitivas como análise de código, identificação de caminhos suspeitos, tentativa de reprodução e geração de evidências. Mas decisões relacionadas a impacto, severidade, correções, compatibilidade e liberação continuam exigindo julgamento técnico. A Microsoft defende que a atenção humana deve ser concentrada justamente nos pontos em que ela gera maior valor: avaliação do impacto de segurança, revisão das correções e validação das decisões de engenharia. Portanto, o cenário mais provável não é o desaparecimento do profissional de cibersegurança. É o surgimento de um profissional de cibersegurança com uma capacidade de investigação muito maior graças à Inteligência Artificial.

 

O que isso muda para profissionais de Cyber Security?

Para quem trabalha com Segurança da Informação, Cloud Security, desenvolvimento seguro ou operações de segurança, essa evolução merece atenção. Estamos entrando em um cenário onde organizações poderão realizar análises de código cada vez mais profundas utilizando agentes de IA.

Isso tende a acelerar áreas como:

  • Vulnerability Management
  • Application Security
  • DevSecOps
  • Secure Software Development
  • Threat Research
  • Red Team
  • Security Research
  • Patch Management

A habilidade de utilizar IA como parte de processos ofensivos e defensivos de segurança provavelmente se tornará uma competência cada vez mais relevante. Também será necessário aprender a avaliar os resultados produzidos por esses sistemas. No futuro, o problema poderá não ser a falta de alertas. Será separar rapidamente aquilo que representa risco real daquilo que é apenas ruído.

 

O impacto para empresas que utilizam Windows e Microsoft 365

Para empresas, existe outra consequência importante. Se a Microsoft continuar aumentando sua capacidade de encontrar vulnerabilidades utilizando Inteligência Artificial, administradores podem começar a observar volumes maiores de correções de segurança. Isso torna ainda mais importante possuir processos maduros de:

  • gestão de vulnerabilidades;
  • inventário de ativos;
  • testes de patches;
  • gestão de endpoints;
  • Microsoft Intune;
  • Microsoft Defender;
  • Microsoft Sentinel;
  • Microsoft Entra;
  • Zero Trust;
  • e gerenciamento de riscos.

A Inteligência Artificial pode acelerar a descoberta de uma vulnerabilidade. Mas a empresa ainda precisa conseguir atualizar seus dispositivos. Uma organização que demora meses para instalar uma atualização continuará vulnerável, independentemente da tecnologia utilizada para encontrar a falha.

 

Estamos entrando na era da segurança cibernética em velocidade de IA

Durante muitos anos, uma das grandes discussões sobre Inteligência Artificial e segurança foi o risco de criminosos utilizarem modelos avançados para descobrir vulnerabilidades e desenvolver ataques. Esse risco continua existindo. Mas a mesma capacidade também pode ser utilizada pelos defensores. É exatamente isso que a Microsoft está tentando fazer com iniciativas como FORGE e MDASH: colocar sistemas de IA trabalhando a favor da identificação e correção de vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por atacantes.

Os 140 CVEs associados ao trabalho realizado entre maio e setembro de 2026 representam um sinal importante dessa transformação. O número em si é impressionante. Mas talvez a mudança mais relevante seja outra. A pergunta deixou de ser: “A Inteligência Artificial consegue encontrar vulnerabilidades?” Os resultados publicados pela Microsoft indicam que sim. A pergunta que começa a importar agora é: “Conseguiremos corrigir vulnerabilidades na mesma velocidade em que a Inteligência Artificial consegue encontrá-las?” Essa pode ser uma das grandes disputas da cibersegurança nos próximos anos.

 

Perguntas frequentes sobre IA e vulnerabilidades na Microsoft

 

A Microsoft está usando Inteligência Artificial para encontrar vulnerabilidades?

Sim. A Microsoft Security está utilizando sistemas de IA, incluindo o MDASH, para auxiliar pesquisadores na descoberta, validação e reprodução de vulnerabilidades em produtos como Windows e também em projetos open source.

 

Quantas vulnerabilidades a IA da Microsoft encontrou?

Entre maio e setembro de 2026, o Microsoft FORGE Lab ajudou a descobrir vulnerabilidades do Windows que receberam 140 identificadores CVE. O número não deve ser interpretado como 140 falhas encontradas exclusivamente e de forma totalmente autônoma por uma IA.

 

Quantas vulnerabilidades foram corrigidas em setembro de 2026?

Segundo a Microsoft, 52 dos CVEs relacionados ao trabalho do FORGE foram tratados na atualização de segurança de setembro de 2026.

 

O que é MDASH?

MDASH é o nome dado pela Microsoft a um sistema agentivo de análise de segurança que combina múltiplos modelos e mais de 100 agentes especializados para descobrir, analisar, questionar e validar possíveis vulnerabilidades.

 

A Inteligência Artificial vai substituir profissionais de cibersegurança?

Os resultados apresentados pela Microsoft apontam mais para automação e ampliação da capacidade dos especialistas do que para sua substituição. Revisão técnica, avaliação de impacto, desenvolvimento de patches e decisões de engenharia continuam dependendo fortemente de especialistas humanos.

 

Conclusão

A utilização de Inteligência Artificial pela Microsoft para descobrir vulnerabilidades representa uma mudança significativa para o mercado de cibersegurança. O FORGE Lab e o MDASH mostram que sistemas baseados em múltiplos agentes de IA já conseguem auxiliar pesquisadores em tarefas extremamente complexas, incluindo a análise de componentes críticos do Windows. Entre maio e setembro de 2026, vulnerabilidades descobertas com participação desse trabalho receberam 140 CVEs, sendo 52 tratadas somente na atualização de segurança de setembro. Ao mesmo tempo, a iniciativa mostra que encontrar vulnerabilidades será apenas metade do desafio. Quanto mais eficiente a IA se tornar na descoberta de falhas, maior será a necessidade de processos capazes de validar, priorizar, corrigir e distribuir patches em alta velocidade.

Estamos, portanto, entrando em uma nova fase da Segurança da Informação. Uma fase em que Inteligência Artificial não será apenas uma ferramenta utilizada pelos atacantes — será também uma das principais armas dos defensores.

 

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Sobre o autor

Wellington Agápto é Arquiteto de Cloud Security na Vivo (Telefônica), Linkedin Top Voice de Segurança da informação, Premiado como MVP da Microsoft, MCT (Microsoft Certified Trainer), possui mais de 30 certificações ao longo da carreira, Professor, Palestrante, Mentor, formado em Teologia, graduado em Gestão da Tecnologia da informação e Análise de sistemas, possui MBA em Cibersegurança e Gestão de Riscos. Reconhecido como Microsoft 365 Expert e Cyber Security Evangelist, Youtuber com + de 100 mil inscritos, empreendedor e produtor Black da Hotmart, Fundador da Uni Academy tendo capacitado mais de 15 mil profissionais de T.I. Autor do livro os 5 passos para tornar-se um profissional de T.I de sucesso.